Gestão de contencioso

Gestão de contencioso
Publicado em 07/01/2026

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O que mais atrapalha a gestão de processos em escala…

Não é falta de conhecimento jurídico.

Depois de mais de duas décadas atendendo grandes operações, de redes varejistas a atacadistas e empresas com presença nacional, aprendi que o maior risco não está no tribunal, mas na forma como o jurídico é estruturado para lidar com o volume.

Não é a tese jurídica que faz uma operação desandar. É a falta de método e ausência de previsibilidade. É acreditar que a rotina de milhares de processos pode ser conduzida com improviso.

Compartilho alguns erros que comprometem resultados de empresas de grande porte.

𝟭. 𝗖𝗲𝗹𝗲𝗯𝗿𝗮𝗿 𝘃𝗶𝘁𝗼́𝗿𝗶𝗮𝘀 𝗷𝘂𝗿í𝗱𝗶𝗰𝗮𝘀 𝗲𝗻𝗾𝘂𝗮𝗻𝘁𝗼 𝗼 𝗲𝘀𝘁𝗼𝗾𝘂𝗲 𝗰𝗿𝗲𝘀𝗰𝗲

Já acompanhei empresas que comemoravam altas taxas de improcedência. No entanto, o número de processos em aberto só aumentava.

Por quê? Porque, se entravam 100 ações no mês, apenas 40/50 eram baixadas. O resultado operacional era negativo, mesmo com teses vencedoras.

Hoje, muitos clientes já adotam uma regra simples: entrou 100, baixou 100. Essa métrica muda completamente o foco do trabalho.

𝟮. 𝗧𝗿𝗮𝘁𝗮𝗿 𝗱𝗮𝗱𝗼𝘀 𝗰𝗼𝗺𝗼 𝗼𝗯𝗿𝗶𝗴𝗮𝗰̧𝗮̃𝗼, 𝗻𝗮̃𝗼 𝗰𝗼𝗺𝗼 𝗲𝘀𝘁𝗿𝗮𝘁𝗲́𝗴𝗶𝗮

O que muitas vezes acontece é que a empresa até registra cada processo em seu sistema, mas não transforma essas informações em decisão.

Em várias operações, identificamos que boa parte da judicialização se concentra em determinadas regiões ou unidades específicas, um padrão que só fica visível quando os relatórios são realmente analisados.

Sem dados consistentes e interpretados, o jurídico trabalha no escuro.

𝟯. 𝗦𝘂𝗯𝗲𝘀𝘁𝗶𝗺𝗮𝗿 𝗼 𝗶𝗺𝗽𝗮𝗰𝘁𝗼 𝗱𝗮𝘀 𝗮𝘂𝗱𝗶𝗲̂𝗻𝗰𝗶𝗮𝘀

Em operações com milhares de audiências por ano, não contar com processos internos padronizados é um erro grave.

Já vi correspondentes diferentes tratarem situações idênticas de formas opostas, gerando condenações desnecessárias.

Quando estruturamos protocolos claros e promovemos treinamento, os índices de improcedência e acordos melhoraram de imediato.

𝟰. 𝗨𝘁𝗶𝗹𝗶𝘇𝗮𝗿 𝗮 𝘁𝗲𝗰𝗻𝗼𝗹𝗼𝗴𝗶𝗮 𝗰𝗼𝗺𝗼 𝗮𝗹𝗶𝗮𝗱𝗮

Não há como lidar com grandes volumes de processos sem tecnologia. Ferramentas de automação, inteligência artificial e integração com sistemas do cliente são requisitos básicos.

Em operações maduras, a tecnologia garante escala com segurança, reduz custos e libera o time jurídico para atuar na análise estratégica e na tomada de decisão.

Esses erros não são teóricos. Estão nos bastidores do contencioso de massa e, quando não tratados, custam caro.

Evitar esses gargalos exige disciplina, governança e visão de negócio. O contencioso em escala não perdoa improvisos.

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