Milhares de companhias publicaram seus primeiros documentos sob a Diretiva de Relatórios de Sustentabilidade Corporativa (CSRD) da União Europeia, enquanto outras avançam na adoção dos padrões do Conselho Internacional de Normas de Sustentabilidade (ISSB).
Apesar das revisões regulatórias, como a diretiva europeia que adiou algumas obrigações, a maioria das empresas manteve seus planos. Segundo a Pesquisa Global de Sustentabilidade da PwC, 40% das organizações seguirão o cronograma original, mesmo sem exigência imediata. O motivo é claro: investidores, conselhos e clientes passaram a considerar as informações ESG como parte essencial da avaliação de desempenho e de risco corporativo.
A pesquisa revela que mais de dois terços das empresas que já reportam sob CSRD ou ISSB obtiveram benefícios além da conformidade. Os dados extraídos dos relatórios passaram a embasar decisões de negócio, reestruturação de cadeias de fornecimento e ajustes de estratégia. Em 38% dos casos, as informações de sustentabilidade influenciam diretamente a formulação da estratégia corporativa.
O movimento é acompanhado por uma mudança interna relevante, já que 65% das empresas aumentaram o investimento de tempo da alta liderança e 66% aumentaram o investimento financeiro em sustentabilidade no último ano. A pressão para entregar dados confiáveis também cresceu, tanto interna quanto externamente, refletindo uma nova expectativa de governança.
Nesse contexto, a área jurídica assume papel central.
Empresas com grande volume de contratos, múltiplas unidades e alta exposição pública precisam garantir que as informações divulgadas sejam juridicamente seguras, rastreáveis e coerentes com suas práticas operacionais. A sustentabilidade deixa de ser um relatório anual e passa a integrar a rotina de controle e decisão.
O jurídico, tradicionalmente acionado na etapa final de revisão, ocupa agora um espaço anterior, o da construção. É ele quem assegura padronização de dados, interpreta exigências multijurisdicionais e evita riscos de inconsistência entre discurso e prática.
Assim como ocorreu com os demonstrativos financeiros, os relatórios de sustentabilidade estão se tornando parte da governança cotidiana das empresas. E, nesse novo ciclo, o jurídico é o elo entre transparência, operação e reputação.